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Água Clara/MS . 22 de Outubro de 2020
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15/10/2020 as 10h28 / Por (Campo Grande News)

Até candidatos com patrimônios acima de 1 milhão receberam auxílio emergencial

Dois pleiteiam cargo de prefeito, um de vice, e outros seis querem ser vereadores

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Entre os 1.555 candidatos a cargos políticos em Mato Grosso do Sul com nome inserido no auxílio emergencial, pouco menos da metade (768) tem bens declarados à Justiça Eleitoral. Entre eles, alguns casos chamam atenção - nove candidatos, com nome no benefício, têm patrimônio avaliado em mais de R$ 1 milhão. A maioria (503), contudo, declarou valor inferior a R$ 100 mil.

O administrador Lazaro Alves de Assis (PSDB) declarou pouco mais de R$ 1,2 milhão em bens e recebeu duas parcelas. A reportagem tentou contato com ele, que não retornou as ligações. Ao Campo Grande News, o presidente do diretório municipal diz que o auxílio era para quem deixou de ter renda, e não tinha relação com bens declarados. "Ele [Lazaro] vivia de vender queijo, requeijão e derivados do leite. Ficou um tempo sem poder vender", alega.

Candidato a vereador por Selvíria, o empresário Elio Alves Cavalcente (PSDB), conhecido como "Elio do Mercado", tem patrimônio declarado em R$ 1,67 milhão e CPF consta em três parcelas do auxílio. Ele também não retornou as chamadas feitas desde a manhã de terça. No entanto, por meio de mensagens, disse supor que teve documentos fraudados já que não precisa do auxílio. "Vou imensamente procurar um advogado e tomar as devidas providências (sic)".

Candidata a vereadora pelo município de Iguatemi, a advogada Raquel Melez Martins (DEM), de 33 anos, tem declarados caderneta de poupança no valor de R$ 1.946,10 e sítio avaliado em impressionantes R$ 1,2 bilhão. Contudo, ela afirma que o valor da propriedade foi registrado errado pelo partido, sendo que o correto seria R$ 1,2 milhão. "Você não sabe a dor de cabeça que me deu, mas já corrigimos. Foi encaminhado ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral]".

Mesmo assim, ela tem CPF (Cadastro de Pessoa Física) registrado no banco de dados da CGU (Controladoria Geral da União), com três parcelas do auxílio de R$ 600, nos meses de maio, julho e agosto, e explica à reportagem que se recebeu é porque estava desempregada e "tem como provar". Ela também lamenta que o erro inicial na declaração tenha causado transtorno já que "agora todo mundo tem que saber minha situação financeira, fora o transtorno de ter que ficar explicando minha situação".

Candidato a vereador por Brasilândia, o empresário Jorge Justino Diogo (PSD) declarou pouco mais de R$ 2,1 milhões em bens. Seu CPF consta em recebimento de quatro parcelas do benefício, mas ele afirma que devolveu o dinheiro à União. Ao Campo Grande News, ele relata que teve dificuldades financeiras no início da pandemia. "Dificuldades todos têm, havia sim dificuldade [financeira], porque desde março parou tudo que tinha aqui e não tinha renda [...], em momento algum pedia patrimônio, falava apenas sobre renda".

Preenchi o cadastro como qualquer brasileiro, a primeira parcela veio, mas depois a gente se deu conta e fiz a devolução. Não tem nenhum recurso que tenha entrado e eu não tenha devolvido. Foi um aprendizado", explica o candidato.

Candidato a vereador por Bonito, o comerciante Renan Perin (PSB) declarou R$ 1,63 milhão em bens e quatro parcelas do auxílio. Outro que recebeu dinheiro do auxílio foi o candidato a vereador por Cassilândia, o comerciante Florisvaldo Barbosa Dias (PSL), que declarou R$ 1,537 milhão em bens e recebeu duas parcelas do benefício. Tanto a assessoria jurídica do PSD quanto o candidato do PSL não responderam a reportagem.

Outros três já citados - Reportagem publicada pelo Campo Grande News na semana passada foi atrás dos patrimônios declarados pelos candidatos a prefeito e vice nas cidades de Mato Grosso do Sul. Três deles haviam declarado valor acima de R$ 1 milhão e seus nomes constavam no recebimento do auxílio.

Um deles, candidato a prefeito em Três Lagoas com quase R$ 1,4 milhão em patrimônio, Divino Freitas (Avante) confirmou recebimento de parcelas de julho e agosto devido ao fechamento da própria empresa por dificuldades econômicas geradas pela pandemia. Ele prometeu devolver o dinheiro público.

Candidato à prefeitura de Inocência com patrimônio de aproximadamente R$ 6 milhões, o pecuarista Antonio Angelo Garcia dos Santos, conhecido como Toninho da Cofapi (DEM), também tem nome relacionado na lista mas, conforme Portal da Transparência, devolveu parcelas à União.

Por fim, candidato a vice-prefeito de Bandeirantes, com pouco mais de R$ 2 milhões declarados à Justiça Eleitoral, Dilson Nunes (PDT) é outro registrado no benefício federal com duas parcelas pagas. Ele confirmou recebimento e alegou ter ficado em "situação complicada" devido à crise econômica advinda do novo coronavírus, que influenciou diretamente na produção.

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